quarta-feira, 4 de abril de 2007

nossas descobertas do dia 2/4/07


Nossas descobertas

O mar sempre exerceu extraordinário fascínio sobre os homens, do poeta ao cientista, suscitando a curiosidade. O estudo de seus ambientes e da vida que o preenche é uma das maiores aventuras da Ciência e da Tecnologia moderna, além de tornar-se prioritária em vista da crescente degradação ambiental, que ameaça a vida no Planeta. No mar está a futura “fronteira agrícola” que poderá alimentar a bilhões de seres humanos. E é nele que encontraremos as respostas para o mistério da origem e evolução da vida.
A principal chave para a compreensão da vida marinha e de sua ecologia é o conhecimento do ambiente marinho, no que tem de característico e diferente do ambiente terrestre, quanto aos seus fatores físicos e químicos, capazes de determinar e limitar a distribuição dos animais marinhos, de acordo com suas habilidades e capacidade de adaptação.
A comparação entre esses dois ambientes, revela um princípio fundamental: o mar é um ambiente muito mais estável e constante que o terrestre. No interior dos oceanos a mudança de temperatura não é tão rápida e dramática, nem se notam tão claramente as diferenças entre as estações do ano.


Poluição do mar


O poluentes que a civilização moderna lança nos oceanos representa um novo tipo de fator ecológico limitante que exige novas adaptações dos organismos marinhos, ou, simplesmente, pode extinguí-los.
É importante conhecer suas características e forma de ação para que tenhamos plena consciência dos riscos que representam e para que possamos descobrir como saná-los.
Os esgotos domésticos e o derramamento de produtos químicos tóxicos aos ecossistemas marinhos, principalmente petróleo, são as mais comuns formas de agressão ambiental ao ambiente marinho.
Principais fontes de poluição marinha
Tipo
Fontes primárias
Efeitos
Nutrientes
Esgoto doméstico, fertilizantes agrícolas e gases produzidos por das termelétricas, carros e afins.
Superpopulação de algas costeiras cuja decomposição exaure o oxigênio da água, matando peixes. Ocorrência de marés vermelhas.
Sedimentos
Escoamento da mineração, atividades florestais agrícolas e outras formas de uso da terra; mineração e dragagem na costa.
Turvação da água. Impedimento da fotossíntese abaixo da superfície. Entupimento das brânquias dos peixes. Soterramento de ecossistemas costeiros. Carregamento de compostos tóxico e do excesso de nutrientes.
Agentes patogênicos
Esgoto e criação de gado.
Contaminação de banhistas e dos frutos do mar. Disseminação de cólera, febre tifóide e outras doenças.
Tóxicos de longa vida
Despejo industrial, água residual de cidades, pesticidas, resíduos líquidos de aterros sanitários.
Envenenamento ou disseminação de doenças na vida marinha costeira. Contaminação de frutos do mar. Bioacúmulo de compostos tóxicos solúveis na gordura de predadores.
Petróleo
46% escoada de automóveis, maquinário de pesado, indústria e outras fontes terrestres; 32% das atividades em petroleiros e afins; 13% de acidentes no mar e resultado de prospecções e de infiltrações naturais.
A contaminação em níveis baixos pode matar larvas e causar doenças na vida marinha. O vazamento de óleo pode matar a vida marinha nos habitats costeiros e bentônicos. Bolas de piche formadas pela coagulação de óleo sujam as praias e as aves marinhas.
Espécies introduzidas
Alguns milhares de espécies em trânsito diário na água do lastro de navios, também nos canais que interligam corpos d’água e projetos de criação de peixes.
Vantagem competitiva sobre as espécies nativas e redução da diversidade biológica marinha. Introdução de novas doenças. Contribuição para a incidência das marés vermelhas e de outras espécies de algas em excesso.
Plásticos
Redes de pesca abandonadas, navios de carga a turísticos, poluição das praias, resíduos de industrias plásticas, de aterros sanitários e de lixo doméstico.
Acessórios de pesca descartados continuam a aprisionar peixes e animais marinhos. Entulhos plásticos menores são ingeridos por animais marinhos e os asfixiam. Poluição nas praias.

Petróleo
O petróleo exerce um efeito físico no ambiente marinho, impedindo a oxigenação da água e a penetração da luz, como conseqüência da fina película física que flutua sobre a água. Do ponto de vista ecológico, o impacto de um derrame de petróleo resulta na alteração da composição de espécies do ecossistema, que dificilmente voltará a como era antes.
Com o petróleo impregnado nas brânquias, os peixes não conseguem respirar e acabam morrendo. Os sobreviventes tem o seu comportamento alterado pelo efeito narcotizante dele. E o sabor da carne, não só dos peixes, como dos crustáceos e moluscos, é modificado afetando gravemente a pesca.
Essas não são suas únicas vítimas. Quando as porções mais densas e pesadas afundam, formam uma camada de asfalto que prejudica a vida bentônica.
As algas costeiras morrem quando recobertas de petróleo. E as de mar aberto tem o seu crescimento reduzido.
Outras vítimas são as aves marinhas que tem dificuldade de voar pelo peso do petróleo. Além disso, as penas perdem a capacidade de termorregulação e, por isso, acabam morrendo de frio. Quando não morrem por esta causa, acabam apresentando lesões no fígado, nas glândulas supra-renais e destruição da flora intestinal.
O ser humano é prejudicado de várias maneiras, além da perda econômica de um combustível que torna-se cada vez mais escasso e de mais alto preço. As finanças das regiões costeiras ficam abaladas pela quebra na produção pesqueira ou na redução do turismo, já que o valor estético das praias perde-se completamente com uma mancha de petróleo. Finalmente, alguns dos compostos que formam o óleo cru podem causar-nos câncer.
Para acelerar a limpeza dos oceanos pode-se usar detergentes especiais. Mas estes, como já se sabe, causa intoxicação de pequenos animais marinhos (crustáceos, por exemplo) iguais ou piores que o próprio petróleo. Por isso, adota-se essa solução apenas em balneários e em casos muito graves.
Existem microorganismos metabolizadores de petróleo no sedimento. Há três espécies de peixes que metabolizam o naftaleno e o 3,4 benzopireno, constituintes do óleo bruto.
Pesquisas recentes de Engenharia Genética têm procurado desenvolver linhagens de bactérias mais resistentes e eficientes em consumir petróleo. Outros estudos procuram substituir os detergentes por substâncias naturais (obtidas de vegetais) biodegradáveis, como o RDT-1 desenvolvido por uma empresa brasileira.
Enquanto novas tecnologias não se tornam disponíveis - e mesmo de posse delas -, o mais acertado é evitar o derramamento de petróleo no mar, principalmente pela lavagem negligente de tanques dos petroleiros, responsável por 96% do petróleo liberado nas águas dos oceanos, que já começam a viver uma lenta agonia.
Esgoto
O esgoto domestico dos grandes centros urbanos costeiros costumeiramente é lançado no mar sem tratamento prévio, carregando muitos nutrientes e partículas que turvam a água. Em baías e em grande quantidade, o esgoto doméstico tem efeito devastador sobre corais e algumas algas, que exigem águas claras e límpidas. Por outro lado, favorece aos ouriços e algas verdes.
Nas áreas costeiras densamente povoadas, o esgoto contaminado pode disseminar gastrenterites e hepatite.
As descargas de esgotos, principalmente de loteamentos e condomínios clandestinos, estão destruindo manguezais de várias partes do Brasil.

Produtos Químicos
A nossa civilização já criou cerca de 65 mil tipos diferentes de produtos químicos sintéticos, dos quais 10 mil são de uso mais constante e continuado. Muitos deles apresentam a propriedade de se acumularem na cadeia alimentar, de modo que seus efeitos perversos somente são percebidos nos grandes predadores, como o próprio homem.
Merecem especial destaque o mercúrio e o DDT. O mercúrio é um elemento químico natural, sendo introduzido diretamente nos oceanos pelas fontes hidrotermais submarinas e na atmosfera pelas atividades vulcânicas, chegando aos mares com as chuvas. Mas sua quantidade tem aumentado muito nos últimos dois séculos em conseqüência do incremento da atividade industrial e principalmente pela intensificação da atividade mineradora de ouro, que ainda usa o mercúrio para concentrar as partículas de ouro.
O papel nefasto do mercúrio na cadeia alimentar marinha tornou-se tristemente famosa e popular com o incidente da Baía de Minamata. O mercúrio liberado durante vários anos pela indústria Chisso Chemical Corporation, na Baia de Minamata, no Japão, foi concentrado pelos peixes que, por sua vez, serviam de alimento aos pescadores. Houve, durante a década de 1950, 111 pessoas gravemente intoxicadas em uma verdadeira "epidemia".
No Brasil, os problemas mais graves de poluição por mercúrio ocorrem nos rios amazônicos (notadamente no rio Tapajós, no oeste do Pará) que estão muito deteriorados e envenenados pela atuação descontrolada dos garimpeiros.
O DDT tem seu uso atualmente proibido em muitos países por ser tóxico a muitos organismos, inclusive para aqueles que se alimentam das pragas agrícolas. No ambiente marinho, o DDT afeta principalmente as aves marinhas, que se alimentam de peixes, enfraquecendo seus ovos e reduzindo drasticamente .

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